quarta-feira, 18 de março de 2026

Homossexualismo

O Silêncio de Jesus que Desmonta o Debate Moderno

Uma pergunta tem aparecido cada vez mais nos debates atuais:
“Se Jesus nunca falou diretamente sobre homossexualidade, então Ele aprovava?”
Essa pergunta parece inteligente… mas na verdade revela desconhecimento histórico e bíblico.
A primeira coisa que precisa ser entendida é simples: a prática homossexual já existia no tempo de Jesus.
E não apenas existia — ela era comum em várias regiões do Império Romano.

Cidades como Corinto, Éfeso e a própria Roma eram conhecidas por uma vida moral extremamente permissiva. Prostituição masculina, relações entre homens adultos e jovens e outras práticas sexuais eram socialmente toleradas em muitos ambientes da cultura greco-romana.
Portanto, o tema não era desconhecido no primeiro século.
Então surge a pergunta:
Por que Jesus não fez um discurso específico sobre isso?

A resposta é histórica.
Jesus era judeu e falava a um público judeu. Para os judeus do seu tempo, a moral sexual já estava claramente estabelecida nas Escrituras, especialmente em textos como Levítico.
Não era um assunto em debate dentro do judaísmo.
Por isso Jesus não saiu repetindo cada mandamento da Lei. Em vez disso, Ele fez algo muito mais profundo: voltou ao princípio da criação.
Quando questionado sobre casamento, Jesus respondeu:
“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio os fez homem e mulher?” (Mateus 19:4)

Nesse momento, Cristo não está apenas falando sobre casamento.
Ele está reafirmando a estrutura original da criação.
Jesus não baseou sua ética na cultura do momento.
Ele baseou sua ética no projeto original de Deus.
Mais tarde, quando o Evangelho começou a alcançar o mundo pagão, os apóstolos precisaram tratar dessas práticas de forma direta.
Especialmente Paulo de Tarso, que escreveu a igrejas inseridas em cidades profundamente influenciadas pela cultura greco-romana.

Na Epístola aos Romanos capítulo 1 e na Primeira Epístola aos Coríntios capítulo 6, ele menciona claramente essas práticas dentro de uma lista de pecados humanos.
Mas o texto não termina em condenação.
Ele diz algo poderoso:
“E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, santificados e justificados.”
Esse versículo revela o coração do Evangelho.
A mensagem cristã não é: “alguns pecadores não têm esperança.”
A mensagem é: “todos os pecadores precisam de transformação.”
E isso inclui cada ser humano.

O grande problema do nosso tempo é que o debate foi deslocado daquilo que Jesus ensinou.
Hoje a discussão não é mais sobre arrependimento, redenção e transformação.
Hoje o debate gira em torno de redefinir o que é pecado.
Mas a verdade permanece: Jesus nunca relativizou o pecado.
Ele ofereceu graça.
Ofereceu perdão.
Ofereceu nova vida.
Mas sempre disse:
“Vai e não peques mais.”

A geração atual tenta reinterpretar Cristo para que Ele se encaixe na cultura moderna.
Mas Jesus nunca se moldou à cultura.
Na verdade, Ele confrontou a cultura e transformou o mundo.
E dois mil anos depois, a pergunta continua ecoando:
Queremos um Jesus que confirme nossas escolhas
ou um Jesus que transforme nossas vidas?
Porque o verdadeiro Cristo nunca veio apenas para afirmar pessoas.
Ele veio para salvar pecadores.
E isso continua sendo a mensagem mais revolucionária da história.

Pr. Leandro Angelo  ✍🏻

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O amor

Ele tatuou um número na pele dela em Auschwitz-Birkenau.
Ela se tornou o motivo dele sobreviver.
Depois da guerra, ele a procurou todos os dias… até encontrá-la.

Quando Lale Sokolov chegou a Auschwitz-Birkenau em 1942, os guardas da SS arrancaram tudo o que ele tinha.

Seus pertences.
Sua dignidade.
Seu nome.

Rasparam sua cabeça. Deram-lhe roupas de prisioneiro. E tatuaram um número em seu antebraço esquerdo:

32407. 

Em Auschwitz, nomes eram perigosos. Nomes significavam que você ainda era humano. Os nazistas queriam números — fileiras de corpos idênticos, descartáveis.

Lale Sokolov se tornou o prisioneiro 32407.

E seu trabalho seria garantir que todos os outros também se tornassem números.

Lale falava várias línguas — alemão, russo, francês, eslovaco. Os guardas perceberam. Chamaram-no de lado e lhe deram uma função que salvaria sua vida… e o assombraria para sempre:

Ele se tornou o Tätowierer — o tatuador do campo.

Todos os dias, Lale ficava diante de uma pequena mesa com agulha e tinta. Novos prisioneiros eram levados até ele — homens, mulheres, crianças.

Ele segurava seus braços… e gravava números em suas peles.

Marcas permanentes de apagamento.

Era um trabalho que o enchia de vergonha.
Mas também o mantinha vivo.

A função lhe dava pequenos privilégios: mais comida, roupas um pouco melhores, liberdade limitada para circular entre setores.

Em Auschwitz, isso significava a diferença entre viver e morrer.

Lale fez uma promessa a si mesmo:

Se esse trabalho me mantém vivo… vou usá-lo para ajudar outros.

Ele contrabandeava pão.
Trocava objetos dos mortos por remédios.
Sussurrava avisos quando podia.

Pequenos atos de resistência em um lugar criado para destruir qualquer resistência.

Mas ele ainda estava sozinho.
Ainda lutando apenas por mais um dia.

Até que, em julho de 1942, uma jovem foi levada até sua mesa.

Seu nome era Gita Furman.

Ela tinha 21 anos. Olhos escuros. Uma força maior que o medo.

Quando Lale segurou seu braço para tatuar o número 34902… seus olhares se encontraram.

E algo impossível aconteceu dentro de Auschwitz.

Ele se apaixonou.

Não aos poucos.
Não com cuidado.

Instantaneamente. Completamente.

Mais tarde, ele diria que soube naquele momento que se casaria com ela — se sobrevivessem.

Se isso fosse possível naquele inferno.

Depois de terminar a tatuagem, Lale fez algo proibido:

Perguntou seu nome.

“Gita”, ela sussurrou.

“Eu sou Lale”, ele respondeu. “E um dia vou me casar com você.”

Ela achou que ele era louco.
Mas não o esqueceu.

A partir daquele dia, sobreviver deixou de ser apenas sobre ele.

Amar alguém em Auschwitz era perigoso.
Proibido.
Dava aos nazistas mais uma forma de te ferir.

Mas também dava um motivo para continuar.

Lale começou a procurá-la. Descobriu em qual barracão ela estava. Decorou horários dos guardas. Aprendeu quem podia ser subornado.

E começou a levar comida para ela.

Pão.
Chocolate.
Remédios quando ela adoeceu.

Cada gesto poderia levá-lo à morte.

Mas ele não parou.

Quando Gita ficou doente com tifo, febril e quase inconsciente, Lale subornou um médico para conseguir tratamento.

Ela sobreviveu.

Eles se encontravam quando podiam — momentos roubados, breves, perigosos.

Conversas sussurradas.

Olhares que diziam tudo.

“Fique viva”, ele dizia.
“Promete que vai ficar viva.”

“Só se você prometer o mesmo”, ela respondia.

Durante três anos, Lale tatuou números nos braços de centenas de milhares de pessoas.

Viu trens chegarem todos os dias.
Famílias inteiras desaparecendo em horas.
Crianças marcadas com números que nunca viveriam para entender.

Ele via a fumaça subir das chaminés.

E sabia o que aquilo significava.

Mas, todas as noites, pensava em Gita.

O número 34902 deixou de ser apagamento.

Virou motivo.

Em janeiro de 1945, com o avanço do exército soviético, os nazistas começaram a evacuar o campo.

Vieram as marchas da morte.

E Lale e Gita foram separados.

Sem despedida.
Sem certeza.
Sem saber se o outro ainda viveria.

Lale conseguiu escapar nos últimos dias do caos.

Estava livre.

Mas não em paz.

Porque não sabia se Gita estava viva.

A guerra terminou.

Milhões morreram.

As chances de encontrar alguém eram quase inexistentes.

Mas Lale não desistiu.

Ele voltou para Bratislava — sua cidade natal.

E passou a ir à estação de trem… todos os dias.

Esperava.

Observava cada rosto.

Dias viraram semanas.
Semanas viraram meses.

Até que, em outubro de 1945, ele viu uma carroça se aproximando.

E, nela… estava Gita.

Viva.

Contra todas as probabilidades.

Ele correu até ela.

Quando se abraçaram, não havia palavras.

Só lágrimas.

Eles se casaram naquele mesmo ano.

“Eu disse que me casaria com você”, ele falou.

Em 1949, emigraram para a Austrália.

Construíram uma nova vida. Tiveram um filho. Tentaram viver normalmente.

Mas Auschwitz nunca os deixou.

Por décadas, Lale quase não falou sobre o que viveu.

A culpa o consumia.

Gita entendia. Nunca o pressionou.

Eles viveram juntos.
Se amaram intensamente.
E carregaram o passado em silêncio.

Gita morreu em 2003.

Lale ficou devastado.

Depois de 58 anos juntos, ele não sabia existir sem ela.

Foi então que, aos 87 anos, decidiu contar sua história para Heather Morris.

Não por fama.

Mas para garantir que o mundo lembrasse dela.

“O número dela era 34902”, ele disse.
“Mas o nome dela era Gita.”

Lale morreu em 2006.

Em 2018, Heather Morris publicou The Tattooist of Auschwitz.

A história se espalhou pelo mundo.

Mas o que torna tudo isso extraordinário não é heroísmo grandioso.

Lale não liderou revoltas.
Não destruiu máquinas.
Não salvou centenas.

Ele apenas amou uma pessoa.

E esse amor manteve os dois humanos em um lugar feito para destruir a humanidade.

Os nazistas tentaram transformá-los em números.

32407. 
32408. 

Mas eles nunca esqueceram seus nomes.

E quando a guerra acabou…

Lale não procurou por um número.

Ele procurou por Gita.

Porque, em um lugar onde tudo foi feito para apagar a humanidade…

o amor — teimoso, impossível, indestrutível — provou que eles ainda eram humanos.

E isso… foi o suficiente.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Diaconisa

Emília Costa foi a primeira Diaconisa separada em São Cristóvão Rio de Janeiro pelas mãos do Missionário Gunnar Vingren. Veja foto com o número 20. Na época fazia apenas 38 anos que princesa Isabel tinha decretado o fim da escravidão. Porém , a maioria dos filhos e netos dos escravos não conseguiam empregos, moravam na rua, eram discriminados, e quando conseguiam trabalho pegavam as piores atribuições . Também proibidos de estudar e de adquirir propriedades. As igrejas tradicionais históricas demoraram muito para aceitar afro-brasileiro na diretoria ou pastorado de igrejas. Lá em São Cristóvão,  Gunnar impressionado com a dedicação de Emília, separou ela á Diaconisa. Paulo em RM 16 recomenda a irmã Febe que é diaconisa em Cencreia. No grego não está Duolos que significa um funcionário braçal . No grego está  Diaconisa . O Diácono administrava os funcionários de uma casa grande . Portanto há base bíblica para separar diaconisa sim . Febe não só era Diaconisa como dirigia a igreja em Cencreia. Ou seja, não é regra mulher dirigir igreja mas Febe eu recomendo. Agora,  Pastora ou Presbítera não temos no Novo Testamento nenhuma referência. Talvez a irmã Emília como Frida que exercia na ausência do marido a função total de tudo que um Pastor faz tenha sido a causa da polêmica e pauta da Convenção de 1930 onde  Gunnar defendia as mulheres no Ministério, enquanto Nistron discordava com veemência. Fonte : página 34 da história da CGADB Editora CPAD . Nessa página da fonte o escritor comenta que Frida participou da Convenção por ser parte da pauta. Mas em todas as Convenções até 1951 as esposas entravam nas plenárias e participavam. Em todas as fotos elas estão participando  nas plenárias. Só em 1953 elas serão proibidas de entrar ou falar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Esquerda

POR QUE DEIXEI DE SER ESQUERDISTA

Muitos se escandalizam com o silêncio da esquerda diante de massacres e ditaduras. Eu não. A esquerda é, em sua essência, a religião do ódio. O objetivo do militante não é debater ideias, mas, como disse Saul Alinsky, "erradicar o inimigo da face da Terra". O adversário não é humano; é um animal a ser extirpado.

Ninguém abandona a esquerda por lógica, mas por decepção moral. Compartilho 7 momentos que abriram meus olhos:

1. O desprezo pelo sagrado: Vi um renomado professor marxista desdenhar da poesia sebastianista de Ariano Suassuna. "Eu não espero rei nenhum!", disse ele. Ali, vi que a ideologia não tolera a transcendência.

2. O olhar de ódio: Ao entrevistar um advogado da equipe de Baltasar Garzón, perguntei se Fidel Castro também não deveria ser preso. O olhar de fúria que recebi, em vez de uma resposta, foi minha lição sobre a seletividade da "justiça" revolucionária.

3. O horror no Vale do Ribeira: Li em Jacob Gorender o relato da morte do Tenente Alberto Mendes Júnior. Desarmado e refém, foi morto a coronhadas pelos "companheiros". Tinha 23 anos.

4. A lógica do genocídio: Ali compreendi que o assassinato de Alberto era o embrião de Mao, Stálin e Pol Pot. Se a guerrilha chegasse ao poder, aquela morte seria multiplicada por milhões.

5. A culpa do linchamento: Há 30 anos, participei do linchamento moral de um amigo inocente por razões políticas. Tentei racionalizar, mas era apenas imoralidade. Anos depois, recebi seu perdão.

6. O martírio de Paulo Francis: Ele foi profético e heroico ao denunciar a corrupção na estatal que todos conhecemos. Seu coração não suportou a perseguição implacável.

7. O marco fundador: O corpo de Celso Daniel em uma estrada de terra é o símbolo da ditadura que vivemos hoje. É o rastro de sangue que leva até a perseguição atual contra Jair Bolsonaro.

O ódio é o combustível da alma esquerdista. Para eles, a morte do outro é apenas estatística; para nós, é a perda da alma eterna.

Leia a crônica completa na @gazetadopovo

sábado, 27 de dezembro de 2025

A espera

A MULHER QUE ESPEROU NA ESTAÇÃO ATÉ O TEMPO SE RENDER

Rússia, 1917–1932

Durante quinze anos, Anna Ivanovna esperou o mesmo trem.

Não importavam o frio, a guerra, a fome ou os rumores. Todas as manhãs, ela caminhava até a estação de uma pequena cidade ao sul de Moscou, sentava-se no mesmo banco de madeira e fixava os olhos nos trilhos — como se eles ainda guardassem uma promessa intacta.

No início, diziam que ela esperava o marido.

E diziam a verdade.

Ivan fora enviado ao front em 1917, quando a guerra ainda parecia distante, quase gloriosa. Prometeu voltar em breve. Prometeu escrever. Prometeu que a separação seria curta.

Anna acreditou em cada palavra.

Nos primeiros meses, as cartas chegaram. Depois, o silêncio. Mais tarde, listas de desaparecidos. Ninguém confirmou a morte. Ninguém confirmou a sobrevivência. Ivan ficou preso no lugar mais cruel que existe: a incerteza.

“Se não há corpo, há esperança”, disseram-lhe.

E Anna agarrou-se a isso como quem se agarra a uma tábua no meio do naufrágio.

Quando a guerra terminou, muitos voltaram. Homens magros, quebrados, com olhos que pareciam ter visto demais. Ivan não estava entre eles. Os vizinhos começaram a aconselhá-la: que refizesse a vida, que ainda era jovem, que esperar tanto tempo era inútil.

“O tempo não traz ninguém de volta”, diziam.

Mas Anna não esperava pelo tempo.

Esperava por Ivan.

Os anos passaram. Veio a revolução. O país mudou. Mudaram os nomes, as placas, o medo. Anna continuou indo à estação.

Havia dias sem trens. Outros, com vagões cheios de estranhos. Ela examinava cada rosto sem ansiedade, sem pressa — como alguém que sabe exatamente quem procura.

Com o tempo, deixou de se arrumar. Depois, deixou de se importar com os olhares. Tornou-se parte da paisagem. “A mulher da estação”, passaram a chamá-la.

Crianças cresceram vendo-a ali. Adultos desviavam o olhar, desconfortáveis. Ela lembrava algo que ninguém queria encarar por muito tempo: que nem tudo se resolve, que nem tudo termina.

Em 1925, um funcionário local sugeriu que ela parasse.

“Não é saudável”, disse. “O Estado não reconhece esse tipo de espera.”

Anna olhou para ele sem raiva.

“O Estado não se casou com isso”, respondeu.

E continuou indo.

O corpo envelheceu mais rápido que a convicção. Os passos ficaram lentos. Sentar-se exigia esforço. Ainda assim, não faltou um único dia.

Num inverno especialmente rigoroso, ela adoeceu e passou semanas de cama. Quando voltou à estação, encontrou o banco ocupado. Não reclamou. Ficou em pé.

O homem levantou-se sem que ela pedisse.

Em 4 de maio de 1932, chegou um trem diferente. Mais curto. Mais silencioso. Poucos passageiros desceram. Entre eles, um homem magro demais, cabelos prematuramente brancos, apoiado numa bengala improvisada.

Anna o reconheceu imediatamente.

Ela não correu.
Não gritou.
Não hesitou.

Levantou-se e caminhou até ele.

Ivan demorou alguns segundos para reconhecê-la. Quinze anos transformam qualquer rosto. Mas, quando compreendeu, deixou a bengala cair.

— Pensei que você não viria — murmurou.

Anna balançou a cabeça, com calma.

— Pensei que você demoraria um pouco.

Ivan passara anos em um campo de prisioneiros de guerra. Não pôde escrever. Não pôde voltar. Não morreu — mas também não viveu de verdade.

Ninguém o procurou.

Exceto ela.

Viveram juntos apenas mais três anos. Pouco tempo, para alguns. Suficiente, para Anna.

Quando Ivan morreu, alguns vizinhos disseram que ela desperdiçara a vida esperando.

Anna nunca concordou.

— Eu não esperei — disse. — Eu escolhi.

E talvez essa seja a parte mais perturbadora da sua história:
às vezes as pessoas não ficam porque não podem ir embora,
mas porque escolhem amar sem garantias.

Anna Ivanovna morreu sabendo algo que estatísticas e conselhos bem-intencionados jamais capturam:

que o tempo pode desistir —
mas nem sempre tem a última palavra.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Igreja perfeita

ESTAVA PROCURANDO UMA IGREJA PERFEITA E RESOLVEU LIGAR PARA O APÓSTOLO PAULO

_ Alô! É o Apostolo Paulo?
_ Sim é ele! 
_ Graça e paz!
_ Graça e paz!
_ Desculpe o incômodo Apóstolo, mas estou precisando da sua ajuda. É que ando decepcionado com muita coisa na igreja a qual pertenço e estou a procura de uma Igreja perfeita. Estou pensando em congregar em Corinto. Ela é uma igreja ideal?
_ Olha, a Igreja de Corinto tem grupinhos (1Co 1.12), tem inveja, contendas (1Co 3.3), brigas que vão parar nos tribunais de justiça comum (1Co 6.-11), e tem até alguns fornicadores (1Co 5.1).
_ E a Igreja de Éfeso?
_ É uma Igreja alicerçada na palavra (At 20.27), mas, ultimamente, tem muita gente sem amor lá (Ap 2.4).
_ Então, penso em ir congregar em Tessalônica.
_ Lá tem alguns que andam desordenadamente e não gostam de trabalhar (2Ts 3.11).
_ Hum! Tá difícil, hein, Paulo?! E se eu for para a igreja de Filipos?
_ Filipos até que é uma igreja boa, mas tem duas irmãs lá uma se chamam Evódia e Síntique que se desentenderam e estão sem conversar uma com a outra (Fp 4.2).
_ Então, acho que vou mudar para Colossos para começar a congregar lá.
_ Olha, em Colossos tem uns hereges que estão tumultuando o ambiente. Tem um grupo lá que estão até cultuando a anjos (Cl 2.18).
_ Que coisa! E se eu for para para a igreja dos Gálatas?
_ Bem, lá tem alguns crentes se mordendo e devorando uns aos outros (Gl 5.15).
_ Não sabia que era tão difícil achar uma igreja perfeita. Entrei em contato com o Apóstolo João para saber se a igreja de Tiatira seria ideal, mas ele me disse que os irmãos lá tem tolerado uma mulher que se diz profetisa e que tem fomentado a prostituição e a idolatria (Ap 2.20). Pensei, então, na possibilidade de ir para Laodiceia, mas João me disse que seus membros estão muito longe da perfeição, pois são orgulhosos, materialistas e mornos espiritualmente (Ap 3.16). Perguntei sobre Pérgamo, e João me disse que lá tem alguns que seguem as doutrinas dos nicolaítas e de Balaão (Ap 2.14-15). Sabe, Paulo, já pensei em ir para a Igreja sede em Jerusalem, mas ouvi dizer que tem muita gente preconceituosa lá (Gl 2.12,13), além de murmuradores (At 6.1) e alguns mentem aos pastores buscando destaque na comunidade (At 5.1-11). E agora, como faço, Paulo?
_ Você precisa entender que não existe igreja perfeita, por ser composta por seres humanos. Há joio no meio do trigo e muitos crentes genuínos que estão em processo de aperfeiçoamento, alguns mais maduros e outros ainda muito imaturos. Em breve, estaremos na Igreja perfeita, a universal assembleia e Igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus (Hb 12.23). Meu conselho é que desista de procurar uma Igreja perfeita, e passe a procurar uma igreja com líderes sinceros e que estejam bem firmados na sã doutrina. Não deixe de congregar (Hb 10.25). E abandone a mentalidade de cliente. Coloque-se à disposição de Deus para se tornar um membro saudável na edificação do Corpo de Cristo para a salvação de muitos e para a glória de Deus (Ef 4.1-16).

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Lula 2025

Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Malásia com o velho figurino do “líder progressista” em busca de legitimidade internacional. Esperava simpatia, visibilidade e talvez um gesto diplomático que reerguesse sua imagem abalada. Saiu, porém, com o silêncio como resposta  e um recado inequívoco: o mundo mudou, e a retórica socialista já não encanta ninguém.

Durante anos, Lula foi recebido como símbolo de resistência e esperança pelas elites políticas de esquerda. Mas a lua de mel acabou. A reunião recente com Donald Trump — marcada por frieza e formalidade — representou mais do que um embaraço diplomático: foi um choque de realidade para um presidente acostumado a aplausos ideológicos e indulgência moral.

Trump, pragmático, ouviu, acenou e encerrou o encontro sem concessões, favores ou declarações públicas de apoio. Nenhum “tapinha nas costas”, nenhuma foto de ocasião. O silêncio foi eloquente e corrosivo. Pela primeira vez em muito tempo, Lula percebeu que a narrativa de “vítima do sistema” já não compra simpatia fora de seu próprio círculo político.

Fontes próximas ao Itamaraty afirmam que Lula tentou oferecer “cooperação” em temas sensíveis, inclusive deixando transparecer que o ministro do STF poderia ser “sacrificado” politicamente em nome da diplomacia. A proposta foi recebida com indiferença em Washington.

A mensagem foi clara: os Estados Unidos não pretendem apadrinhar regimes que flertam com o autoritarismo travestido de progressismo. O gesto foi lido como humilhação em Brasília. O “imperador vermelho”, como ironizam os críticos, saiu menor do que chegou.

Lula buscou legitimidade externa. Encontrou indiferença. Prometeu justiça social. Entregou censura. Prometeu paz. Entregou um país sitiado. Garantiu prosperidade aos brasileiros, mas a população vive à base de esmola institucional, sem perspectivas, em especial em termos de economia, saúde e segurança.

O Brasil de 2025 é um país em marcha lenta, sufocado pela burocracia, espantando investidores e vendo seus empreendedores buscarem refúgio no exterior. Mais de 3 milhões de empresas fecharam as portas, a carga tributária atingiu níveis históricos e a fuga de capitais virou um indicador de sobrevivência, não de economia.

Enquanto o governo fala em “justiça social”, o setor produtivo denuncia canibalismo econômico. O Estado engorda, o cidadão empobrece e a iniciativa privada é tratada como inimiga. O resultado é uma nação onde o sucesso é suspeito e o fracasso é política pública.

A retórica vermelha resiste, mas a paciência dos brasileiros não. Segundo consultorias internacionais, mais de 1.200 milionários deixarão o país neste ano, levando empregos, capital e inovação. O êxodo virou manchete global e o Brasil deixou de ser visto como terreno fértil para prosperidade e passou a ser um laboratório de narco-populismo tropical.

Em um episódio recente, tribunais brasileiros ordenaram a remoção de publicações que apenas reproduziam falas literais de Lula, nas quais ele dizia que “traficantes também são vítimas”. A censura foi justificada como “proteção contra desinformação”. Traduzindo: citar o presidente virou crime.

A cena beira o absurdo. A Justiça brasileira, sob a égide de ministros politicamente engajados, parece ter se tornado o departamento de comunicação do Planalto. Censura, multas e perseguição judicial transformaram a crítica em ofensa e o jornalismo em risco.

No Brasil de hoje, a verdade é reescrita por sentença judicial. Criminosos ganham empatia; jornalistas, inquéritos. O discurso oficial é o da compaixão seletiva, onde o traficante é vítima, o cidadão é opressor e o Estado é o juiz da moral pública.

Enquanto o governo do Rio de Janeiro classifica o Comando Vermelho como organização terrorista e busca cooperação internacional, Brasília prefere o silêncio. O mesmo governo federal que censura posts e monitora opositores hesita em chamar traficantes de terroristas.

O contraste é gritante: o Rio tenta sobreviver; Brasília finge que governa. A ausência de uma política nacional de segurança real transformou o país num mosaico de zonas de influência do crime. O resultado é trágico: 27% da população vive sob domínio direto de facções, segundo estimativas do próprio Ministério da Justiça.

O ministro do STF agora mira o governador Cláudio Castro e os policiais que lideraram a megaoperação contra o Comando Vermelho. Em vez de elogiar o combate ao crime, o Supremo pede “esclarecimentos” sobre o sucesso da operação.

A competência para o exame de eventuais irregularidades na operação é da Justiça fluminense. Não há uma linha no art. 102 da Constituição que transforme o Supremo em investigador, acusador e juiz de policiais do RJ.

Os policiais viram réus; os criminosos, vítimas, em uma inversão moral completa. O Rio contabiliza mortos e feridos em confrontos com narcotraficantes armados com granadas e fuzis de uso militar, mas Brasília prioriza debater “proporcionalidade” e “direitos humanos". É o retrato perfeito do Brasil de Lula, um país onde combater o crime é perigoso, mas cometê-lo é politicamente rentável.

Os eleitores de esquerda são os únicos que desaprovam a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas durante o confronto. De acordo com pesquisa Genial/Quaest, 59% dos eleitores lulistas reprovaram a ação, enquanto entre os não lulistas o percentual chegou a 70%.

A viagem, mais do que uma agenda diplomática frustrada, foi uma radiografia do declínio político de Lula. A gestão  interna do país também. O carisma internacional se foi, o apoio doméstico desmorona e a narrativa revolucionária não convence nem seus antigos parceiros ideológicos.