segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Igreja perfeita

ESTAVA PROCURANDO UMA IGREJA PERFEITA E RESOLVEU LIGAR PARA O APÓSTOLO PAULO

_ Alô! É o Apostolo Paulo?
_ Sim é ele! 
_ Graça e paz!
_ Graça e paz!
_ Desculpe o incômodo Apóstolo, mas estou precisando da sua ajuda. É que ando decepcionado com muita coisa na igreja a qual pertenço e estou a procura de uma Igreja perfeita. Estou pensando em congregar em Corinto. Ela é uma igreja ideal?
_ Olha, a Igreja de Corinto tem grupinhos (1Co 1.12), tem inveja, contendas (1Co 3.3), brigas que vão parar nos tribunais de justiça comum (1Co 6.-11), e tem até alguns fornicadores (1Co 5.1).
_ E a Igreja de Éfeso?
_ É uma Igreja alicerçada na palavra (At 20.27), mas, ultimamente, tem muita gente sem amor lá (Ap 2.4).
_ Então, penso em ir congregar em Tessalônica.
_ Lá tem alguns que andam desordenadamente e não gostam de trabalhar (2Ts 3.11).
_ Hum! Tá difícil, hein, Paulo?! E se eu for para a igreja de Filipos?
_ Filipos até que é uma igreja boa, mas tem duas irmãs lá uma se chamam Evódia e Síntique que se desentenderam e estão sem conversar uma com a outra (Fp 4.2).
_ Então, acho que vou mudar para Colossos para começar a congregar lá.
_ Olha, em Colossos tem uns hereges que estão tumultuando o ambiente. Tem um grupo lá que estão até cultuando a anjos (Cl 2.18).
_ Que coisa! E se eu for para para a igreja dos Gálatas?
_ Bem, lá tem alguns crentes se mordendo e devorando uns aos outros (Gl 5.15).
_ Não sabia que era tão difícil achar uma igreja perfeita. Entrei em contato com o Apóstolo João para saber se a igreja de Tiatira seria ideal, mas ele me disse que os irmãos lá tem tolerado uma mulher que se diz profetisa e que tem fomentado a prostituição e a idolatria (Ap 2.20). Pensei, então, na possibilidade de ir para Laodiceia, mas João me disse que seus membros estão muito longe da perfeição, pois são orgulhosos, materialistas e mornos espiritualmente (Ap 3.16). Perguntei sobre Pérgamo, e João me disse que lá tem alguns que seguem as doutrinas dos nicolaítas e de Balaão (Ap 2.14-15). Sabe, Paulo, já pensei em ir para a Igreja sede em Jerusalem, mas ouvi dizer que tem muita gente preconceituosa lá (Gl 2.12,13), além de murmuradores (At 6.1) e alguns mentem aos pastores buscando destaque na comunidade (At 5.1-11). E agora, como faço, Paulo?
_ Você precisa entender que não existe igreja perfeita, por ser composta por seres humanos. Há joio no meio do trigo e muitos crentes genuínos que estão em processo de aperfeiçoamento, alguns mais maduros e outros ainda muito imaturos. Em breve, estaremos na Igreja perfeita, a universal assembleia e Igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus (Hb 12.23). Meu conselho é que desista de procurar uma Igreja perfeita, e passe a procurar uma igreja com líderes sinceros e que estejam bem firmados na sã doutrina. Não deixe de congregar (Hb 10.25). E abandone a mentalidade de cliente. Coloque-se à disposição de Deus para se tornar um membro saudável na edificação do Corpo de Cristo para a salvação de muitos e para a glória de Deus (Ef 4.1-16).

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Lula 2025

Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Malásia com o velho figurino do “líder progressista” em busca de legitimidade internacional. Esperava simpatia, visibilidade e talvez um gesto diplomático que reerguesse sua imagem abalada. Saiu, porém, com o silêncio como resposta  e um recado inequívoco: o mundo mudou, e a retórica socialista já não encanta ninguém.

Durante anos, Lula foi recebido como símbolo de resistência e esperança pelas elites políticas de esquerda. Mas a lua de mel acabou. A reunião recente com Donald Trump — marcada por frieza e formalidade — representou mais do que um embaraço diplomático: foi um choque de realidade para um presidente acostumado a aplausos ideológicos e indulgência moral.

Trump, pragmático, ouviu, acenou e encerrou o encontro sem concessões, favores ou declarações públicas de apoio. Nenhum “tapinha nas costas”, nenhuma foto de ocasião. O silêncio foi eloquente e corrosivo. Pela primeira vez em muito tempo, Lula percebeu que a narrativa de “vítima do sistema” já não compra simpatia fora de seu próprio círculo político.

Fontes próximas ao Itamaraty afirmam que Lula tentou oferecer “cooperação” em temas sensíveis, inclusive deixando transparecer que o ministro do STF poderia ser “sacrificado” politicamente em nome da diplomacia. A proposta foi recebida com indiferença em Washington.

A mensagem foi clara: os Estados Unidos não pretendem apadrinhar regimes que flertam com o autoritarismo travestido de progressismo. O gesto foi lido como humilhação em Brasília. O “imperador vermelho”, como ironizam os críticos, saiu menor do que chegou.

Lula buscou legitimidade externa. Encontrou indiferença. Prometeu justiça social. Entregou censura. Prometeu paz. Entregou um país sitiado. Garantiu prosperidade aos brasileiros, mas a população vive à base de esmola institucional, sem perspectivas, em especial em termos de economia, saúde e segurança.

O Brasil de 2025 é um país em marcha lenta, sufocado pela burocracia, espantando investidores e vendo seus empreendedores buscarem refúgio no exterior. Mais de 3 milhões de empresas fecharam as portas, a carga tributária atingiu níveis históricos e a fuga de capitais virou um indicador de sobrevivência, não de economia.

Enquanto o governo fala em “justiça social”, o setor produtivo denuncia canibalismo econômico. O Estado engorda, o cidadão empobrece e a iniciativa privada é tratada como inimiga. O resultado é uma nação onde o sucesso é suspeito e o fracasso é política pública.

A retórica vermelha resiste, mas a paciência dos brasileiros não. Segundo consultorias internacionais, mais de 1.200 milionários deixarão o país neste ano, levando empregos, capital e inovação. O êxodo virou manchete global e o Brasil deixou de ser visto como terreno fértil para prosperidade e passou a ser um laboratório de narco-populismo tropical.

Em um episódio recente, tribunais brasileiros ordenaram a remoção de publicações que apenas reproduziam falas literais de Lula, nas quais ele dizia que “traficantes também são vítimas”. A censura foi justificada como “proteção contra desinformação”. Traduzindo: citar o presidente virou crime.

A cena beira o absurdo. A Justiça brasileira, sob a égide de ministros politicamente engajados, parece ter se tornado o departamento de comunicação do Planalto. Censura, multas e perseguição judicial transformaram a crítica em ofensa e o jornalismo em risco.

No Brasil de hoje, a verdade é reescrita por sentença judicial. Criminosos ganham empatia; jornalistas, inquéritos. O discurso oficial é o da compaixão seletiva, onde o traficante é vítima, o cidadão é opressor e o Estado é o juiz da moral pública.

Enquanto o governo do Rio de Janeiro classifica o Comando Vermelho como organização terrorista e busca cooperação internacional, Brasília prefere o silêncio. O mesmo governo federal que censura posts e monitora opositores hesita em chamar traficantes de terroristas.

O contraste é gritante: o Rio tenta sobreviver; Brasília finge que governa. A ausência de uma política nacional de segurança real transformou o país num mosaico de zonas de influência do crime. O resultado é trágico: 27% da população vive sob domínio direto de facções, segundo estimativas do próprio Ministério da Justiça.

O ministro do STF agora mira o governador Cláudio Castro e os policiais que lideraram a megaoperação contra o Comando Vermelho. Em vez de elogiar o combate ao crime, o Supremo pede “esclarecimentos” sobre o sucesso da operação.

A competência para o exame de eventuais irregularidades na operação é da Justiça fluminense. Não há uma linha no art. 102 da Constituição que transforme o Supremo em investigador, acusador e juiz de policiais do RJ.

Os policiais viram réus; os criminosos, vítimas, em uma inversão moral completa. O Rio contabiliza mortos e feridos em confrontos com narcotraficantes armados com granadas e fuzis de uso militar, mas Brasília prioriza debater “proporcionalidade” e “direitos humanos". É o retrato perfeito do Brasil de Lula, um país onde combater o crime é perigoso, mas cometê-lo é politicamente rentável.

Os eleitores de esquerda são os únicos que desaprovam a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas durante o confronto. De acordo com pesquisa Genial/Quaest, 59% dos eleitores lulistas reprovaram a ação, enquanto entre os não lulistas o percentual chegou a 70%.

A viagem, mais do que uma agenda diplomática frustrada, foi uma radiografia do declínio político de Lula. A gestão  interna do país também. O carisma internacional se foi, o apoio doméstico desmorona e a narrativa revolucionária não convence nem seus antigos parceiros ideológicos.