quarta-feira, 18 de março de 2026

Homossexualismo

O Silêncio de Jesus que Desmonta o Debate Moderno

Uma pergunta tem aparecido cada vez mais nos debates atuais:
“Se Jesus nunca falou diretamente sobre homossexualidade, então Ele aprovava?”
Essa pergunta parece inteligente… mas na verdade revela desconhecimento histórico e bíblico.
A primeira coisa que precisa ser entendida é simples: a prática homossexual já existia no tempo de Jesus.
E não apenas existia — ela era comum em várias regiões do Império Romano.

Cidades como Corinto, Éfeso e a própria Roma eram conhecidas por uma vida moral extremamente permissiva. Prostituição masculina, relações entre homens adultos e jovens e outras práticas sexuais eram socialmente toleradas em muitos ambientes da cultura greco-romana.
Portanto, o tema não era desconhecido no primeiro século.
Então surge a pergunta:
Por que Jesus não fez um discurso específico sobre isso?

A resposta é histórica.
Jesus era judeu e falava a um público judeu. Para os judeus do seu tempo, a moral sexual já estava claramente estabelecida nas Escrituras, especialmente em textos como Levítico.
Não era um assunto em debate dentro do judaísmo.
Por isso Jesus não saiu repetindo cada mandamento da Lei. Em vez disso, Ele fez algo muito mais profundo: voltou ao princípio da criação.
Quando questionado sobre casamento, Jesus respondeu:
“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio os fez homem e mulher?” (Mateus 19:4)

Nesse momento, Cristo não está apenas falando sobre casamento.
Ele está reafirmando a estrutura original da criação.
Jesus não baseou sua ética na cultura do momento.
Ele baseou sua ética no projeto original de Deus.
Mais tarde, quando o Evangelho começou a alcançar o mundo pagão, os apóstolos precisaram tratar dessas práticas de forma direta.
Especialmente Paulo de Tarso, que escreveu a igrejas inseridas em cidades profundamente influenciadas pela cultura greco-romana.

Na Epístola aos Romanos capítulo 1 e na Primeira Epístola aos Coríntios capítulo 6, ele menciona claramente essas práticas dentro de uma lista de pecados humanos.
Mas o texto não termina em condenação.
Ele diz algo poderoso:
“E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, santificados e justificados.”
Esse versículo revela o coração do Evangelho.
A mensagem cristã não é: “alguns pecadores não têm esperança.”
A mensagem é: “todos os pecadores precisam de transformação.”
E isso inclui cada ser humano.

O grande problema do nosso tempo é que o debate foi deslocado daquilo que Jesus ensinou.
Hoje a discussão não é mais sobre arrependimento, redenção e transformação.
Hoje o debate gira em torno de redefinir o que é pecado.
Mas a verdade permanece: Jesus nunca relativizou o pecado.
Ele ofereceu graça.
Ofereceu perdão.
Ofereceu nova vida.
Mas sempre disse:
“Vai e não peques mais.”

A geração atual tenta reinterpretar Cristo para que Ele se encaixe na cultura moderna.
Mas Jesus nunca se moldou à cultura.
Na verdade, Ele confrontou a cultura e transformou o mundo.
E dois mil anos depois, a pergunta continua ecoando:
Queremos um Jesus que confirme nossas escolhas
ou um Jesus que transforme nossas vidas?
Porque o verdadeiro Cristo nunca veio apenas para afirmar pessoas.
Ele veio para salvar pecadores.
E isso continua sendo a mensagem mais revolucionária da história.

Pr. Leandro Angelo  ✍🏻

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O amor

Ele tatuou um número na pele dela em Auschwitz-Birkenau.
Ela se tornou o motivo dele sobreviver.
Depois da guerra, ele a procurou todos os dias… até encontrá-la.

Quando Lale Sokolov chegou a Auschwitz-Birkenau em 1942, os guardas da SS arrancaram tudo o que ele tinha.

Seus pertences.
Sua dignidade.
Seu nome.

Rasparam sua cabeça. Deram-lhe roupas de prisioneiro. E tatuaram um número em seu antebraço esquerdo:

32407. 

Em Auschwitz, nomes eram perigosos. Nomes significavam que você ainda era humano. Os nazistas queriam números — fileiras de corpos idênticos, descartáveis.

Lale Sokolov se tornou o prisioneiro 32407.

E seu trabalho seria garantir que todos os outros também se tornassem números.

Lale falava várias línguas — alemão, russo, francês, eslovaco. Os guardas perceberam. Chamaram-no de lado e lhe deram uma função que salvaria sua vida… e o assombraria para sempre:

Ele se tornou o Tätowierer — o tatuador do campo.

Todos os dias, Lale ficava diante de uma pequena mesa com agulha e tinta. Novos prisioneiros eram levados até ele — homens, mulheres, crianças.

Ele segurava seus braços… e gravava números em suas peles.

Marcas permanentes de apagamento.

Era um trabalho que o enchia de vergonha.
Mas também o mantinha vivo.

A função lhe dava pequenos privilégios: mais comida, roupas um pouco melhores, liberdade limitada para circular entre setores.

Em Auschwitz, isso significava a diferença entre viver e morrer.

Lale fez uma promessa a si mesmo:

Se esse trabalho me mantém vivo… vou usá-lo para ajudar outros.

Ele contrabandeava pão.
Trocava objetos dos mortos por remédios.
Sussurrava avisos quando podia.

Pequenos atos de resistência em um lugar criado para destruir qualquer resistência.

Mas ele ainda estava sozinho.
Ainda lutando apenas por mais um dia.

Até que, em julho de 1942, uma jovem foi levada até sua mesa.

Seu nome era Gita Furman.

Ela tinha 21 anos. Olhos escuros. Uma força maior que o medo.

Quando Lale segurou seu braço para tatuar o número 34902… seus olhares se encontraram.

E algo impossível aconteceu dentro de Auschwitz.

Ele se apaixonou.

Não aos poucos.
Não com cuidado.

Instantaneamente. Completamente.

Mais tarde, ele diria que soube naquele momento que se casaria com ela — se sobrevivessem.

Se isso fosse possível naquele inferno.

Depois de terminar a tatuagem, Lale fez algo proibido:

Perguntou seu nome.

“Gita”, ela sussurrou.

“Eu sou Lale”, ele respondeu. “E um dia vou me casar com você.”

Ela achou que ele era louco.
Mas não o esqueceu.

A partir daquele dia, sobreviver deixou de ser apenas sobre ele.

Amar alguém em Auschwitz era perigoso.
Proibido.
Dava aos nazistas mais uma forma de te ferir.

Mas também dava um motivo para continuar.

Lale começou a procurá-la. Descobriu em qual barracão ela estava. Decorou horários dos guardas. Aprendeu quem podia ser subornado.

E começou a levar comida para ela.

Pão.
Chocolate.
Remédios quando ela adoeceu.

Cada gesto poderia levá-lo à morte.

Mas ele não parou.

Quando Gita ficou doente com tifo, febril e quase inconsciente, Lale subornou um médico para conseguir tratamento.

Ela sobreviveu.

Eles se encontravam quando podiam — momentos roubados, breves, perigosos.

Conversas sussurradas.

Olhares que diziam tudo.

“Fique viva”, ele dizia.
“Promete que vai ficar viva.”

“Só se você prometer o mesmo”, ela respondia.

Durante três anos, Lale tatuou números nos braços de centenas de milhares de pessoas.

Viu trens chegarem todos os dias.
Famílias inteiras desaparecendo em horas.
Crianças marcadas com números que nunca viveriam para entender.

Ele via a fumaça subir das chaminés.

E sabia o que aquilo significava.

Mas, todas as noites, pensava em Gita.

O número 34902 deixou de ser apagamento.

Virou motivo.

Em janeiro de 1945, com o avanço do exército soviético, os nazistas começaram a evacuar o campo.

Vieram as marchas da morte.

E Lale e Gita foram separados.

Sem despedida.
Sem certeza.
Sem saber se o outro ainda viveria.

Lale conseguiu escapar nos últimos dias do caos.

Estava livre.

Mas não em paz.

Porque não sabia se Gita estava viva.

A guerra terminou.

Milhões morreram.

As chances de encontrar alguém eram quase inexistentes.

Mas Lale não desistiu.

Ele voltou para Bratislava — sua cidade natal.

E passou a ir à estação de trem… todos os dias.

Esperava.

Observava cada rosto.

Dias viraram semanas.
Semanas viraram meses.

Até que, em outubro de 1945, ele viu uma carroça se aproximando.

E, nela… estava Gita.

Viva.

Contra todas as probabilidades.

Ele correu até ela.

Quando se abraçaram, não havia palavras.

Só lágrimas.

Eles se casaram naquele mesmo ano.

“Eu disse que me casaria com você”, ele falou.

Em 1949, emigraram para a Austrália.

Construíram uma nova vida. Tiveram um filho. Tentaram viver normalmente.

Mas Auschwitz nunca os deixou.

Por décadas, Lale quase não falou sobre o que viveu.

A culpa o consumia.

Gita entendia. Nunca o pressionou.

Eles viveram juntos.
Se amaram intensamente.
E carregaram o passado em silêncio.

Gita morreu em 2003.

Lale ficou devastado.

Depois de 58 anos juntos, ele não sabia existir sem ela.

Foi então que, aos 87 anos, decidiu contar sua história para Heather Morris.

Não por fama.

Mas para garantir que o mundo lembrasse dela.

“O número dela era 34902”, ele disse.
“Mas o nome dela era Gita.”

Lale morreu em 2006.

Em 2018, Heather Morris publicou The Tattooist of Auschwitz.

A história se espalhou pelo mundo.

Mas o que torna tudo isso extraordinário não é heroísmo grandioso.

Lale não liderou revoltas.
Não destruiu máquinas.
Não salvou centenas.

Ele apenas amou uma pessoa.

E esse amor manteve os dois humanos em um lugar feito para destruir a humanidade.

Os nazistas tentaram transformá-los em números.

32407. 
32408. 

Mas eles nunca esqueceram seus nomes.

E quando a guerra acabou…

Lale não procurou por um número.

Ele procurou por Gita.

Porque, em um lugar onde tudo foi feito para apagar a humanidade…

o amor — teimoso, impossível, indestrutível — provou que eles ainda eram humanos.

E isso… foi o suficiente.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Diaconisa

Emília Costa foi a primeira Diaconisa separada em São Cristóvão Rio de Janeiro pelas mãos do Missionário Gunnar Vingren. Veja foto com o número 20. Na época fazia apenas 38 anos que princesa Isabel tinha decretado o fim da escravidão. Porém , a maioria dos filhos e netos dos escravos não conseguiam empregos, moravam na rua, eram discriminados, e quando conseguiam trabalho pegavam as piores atribuições . Também proibidos de estudar e de adquirir propriedades. As igrejas tradicionais históricas demoraram muito para aceitar afro-brasileiro na diretoria ou pastorado de igrejas. Lá em São Cristóvão,  Gunnar impressionado com a dedicação de Emília, separou ela á Diaconisa. Paulo em RM 16 recomenda a irmã Febe que é diaconisa em Cencreia. No grego não está Duolos que significa um funcionário braçal . No grego está  Diaconisa . O Diácono administrava os funcionários de uma casa grande . Portanto há base bíblica para separar diaconisa sim . Febe não só era Diaconisa como dirigia a igreja em Cencreia. Ou seja, não é regra mulher dirigir igreja mas Febe eu recomendo. Agora,  Pastora ou Presbítera não temos no Novo Testamento nenhuma referência. Talvez a irmã Emília como Frida que exercia na ausência do marido a função total de tudo que um Pastor faz tenha sido a causa da polêmica e pauta da Convenção de 1930 onde  Gunnar defendia as mulheres no Ministério, enquanto Nistron discordava com veemência. Fonte : página 34 da história da CGADB Editora CPAD . Nessa página da fonte o escritor comenta que Frida participou da Convenção por ser parte da pauta. Mas em todas as Convenções até 1951 as esposas entravam nas plenárias e participavam. Em todas as fotos elas estão participando  nas plenárias. Só em 1953 elas serão proibidas de entrar ou falar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Esquerda

POR QUE DEIXEI DE SER ESQUERDISTA

Muitos se escandalizam com o silêncio da esquerda diante de massacres e ditaduras. Eu não. A esquerda é, em sua essência, a religião do ódio. O objetivo do militante não é debater ideias, mas, como disse Saul Alinsky, "erradicar o inimigo da face da Terra". O adversário não é humano; é um animal a ser extirpado.

Ninguém abandona a esquerda por lógica, mas por decepção moral. Compartilho 7 momentos que abriram meus olhos:

1. O desprezo pelo sagrado: Vi um renomado professor marxista desdenhar da poesia sebastianista de Ariano Suassuna. "Eu não espero rei nenhum!", disse ele. Ali, vi que a ideologia não tolera a transcendência.

2. O olhar de ódio: Ao entrevistar um advogado da equipe de Baltasar Garzón, perguntei se Fidel Castro também não deveria ser preso. O olhar de fúria que recebi, em vez de uma resposta, foi minha lição sobre a seletividade da "justiça" revolucionária.

3. O horror no Vale do Ribeira: Li em Jacob Gorender o relato da morte do Tenente Alberto Mendes Júnior. Desarmado e refém, foi morto a coronhadas pelos "companheiros". Tinha 23 anos.

4. A lógica do genocídio: Ali compreendi que o assassinato de Alberto era o embrião de Mao, Stálin e Pol Pot. Se a guerrilha chegasse ao poder, aquela morte seria multiplicada por milhões.

5. A culpa do linchamento: Há 30 anos, participei do linchamento moral de um amigo inocente por razões políticas. Tentei racionalizar, mas era apenas imoralidade. Anos depois, recebi seu perdão.

6. O martírio de Paulo Francis: Ele foi profético e heroico ao denunciar a corrupção na estatal que todos conhecemos. Seu coração não suportou a perseguição implacável.

7. O marco fundador: O corpo de Celso Daniel em uma estrada de terra é o símbolo da ditadura que vivemos hoje. É o rastro de sangue que leva até a perseguição atual contra Jair Bolsonaro.

O ódio é o combustível da alma esquerdista. Para eles, a morte do outro é apenas estatística; para nós, é a perda da alma eterna.

Leia a crônica completa na @gazetadopovo