quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

minha rua

Minha Rua 

  (Quantos de nós aqui no grupo não sentimos saudades da rua em que morávamos  quando crianças)

Minha rua era tão minha

em sua simplicidade…

Não sei de onde é que ela vinha,

mas ia para a cidade.

Com suas pedras redondas

e duas magras calçadas,

não tinha praia nem ondas,

mas como tinha enxurradas!

Era alegre, era risonha,

tinha orquestra de pardais,

e a cantilena enfadonha

de mil pregões matinais.

Ali cresci, me fiz homem,

e a minha rua, coitada…

qual as mães que se consomem,

foi tudo, sem querer nada.

Foi pista dos meus brinquedos,

de jogos de correrias…

Foi dona dos meus segredos

viu tristezas, alegrias…

Viu meus passos imprecisos,

viu-me garoto, um traquinas,

e viu-me trocar sorrisos

nas rondas pelas esquinas.

Viu-me também, certo dia,

sair da lá, nem sei quando…

Por fora sei que sorria,

por dentro estava chorando…

guardei, porém, na lembrança

aquele encanto que tinha

a rua em que fui criança,

a rua que foi tão minha… 

Poema de Virgílio Moojen de Oliveira - foto sómente para ilustrar

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