Os pensamentos de uma negra
Pensamentos de uma negra...
Desde o ventre, eu sou essa.
Aos olhos de muitos,
uma peça e aos de outros,
um poema, uma canção, uma atriz, uma configuração.
Deram a mim, cores e são elas...
por fora negra, dentes brancos, sangue vermelho, cabelos escuros e as solas dos pés são cor-de-rosas...
As palmas das mãos são encardidas e a língua, é quieta e inquieta.
Eu sou arte poética que muitos não gostam de escrever e nem ler, pois se soubessem, me escreveriam
Para a sociedade sou variedades e para o meu povo, sou um osso duro de roer quem se atrever a roer, não sabe nem se quer como é feita a escrita de se ler.
Fui vendida como escrava, humilhada e julgada pelo teor de minhas cores e lá no tronco da vida, fui chicoteada.
As marcas em mim deixadas, não se vêem com os olhos da carne e nem tão pouco com os pensamentos, se vêem com os olhos da alma porque foi na calma que venci as lambadas.
E foram lambadas tais como, samba sem pandeiro, sem zabumba e sem cavaquinho e o meu ninho é tão quente e não tem ninguém que aguentaria o calor porque antes mesmo do primeiro gole de leite materno, ja existia, o amor.
Ricardo Melo
O Poeta que Voa
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